Câmbio, Bolsa e juro longo reagiram ao resultado das urnas
A primeira semana depois do segundo turno, que reelegeu o presidente Lula com 51,79% dos votos válidos, foi a mais dura para os mercados brasileiros em anos. O dólar comercial fechou a sexta-feira, 30 de outubro, a R$ 5,446, a maior cotação de 2026; o Ibovespa terminou aos 167.921,80 pontos; e a curva de juros subiu em todos os prazos.
Segundo a Agência Brasil, a alta de 9,15% do dólar na semana foi a maior desde 2008, e o Ibovespa caiu 18,12%, depois de a B3 acionar o circuit breaker na segunda-feira, 26. Investidores estrangeiros retiraram cerca de R$ 7,6 bilhões do mercado secundário de ações nos três primeiros pregões. Em outubro, a Bolsa perdeu 9,88% e o dólar subiu 5,27%.
Na renda fixa, o DI para janeiro de 2028 terminou a semana a 14,50%, alta de 164 pontos-base, e o de janeiro de 2035 chegou a 15,33%, com 259 pontos-base a mais, segundo a Reuters. O motivo central é fiscal: o mercado estava posicionado para outro resultado e passou a cobrar prêmio enquanto não conhece a nova equipe econômica. Na terça, 27, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse em entrevista coletiva que o governo vai "buscar o centro da meta" e que as medidas de ajuste virão depois de o presidente definir a equipe, segundo o Correio Braziliense.
O Copom decide a Selic na quarta-feira, 4 de novembro. A taxa está em 13,75% ao ano, e a maior parte das apostas passou a ser de manutenção. Repare que o DI de 2028 já está acima da Selic: o mercado deixou de precificar cortes no horizonte de quem financia.
Os bancos repassaram o juro novo em menos de uma semana
Entre quinta e sexta, o Itaú levou a taxa de balcão do SBPE de 11,99% para 12,95% + TR, o Santander passou a cobrar a partir de 12,49% + TR e o Bradesco foi de 11,69% para 13,60% + TR, segundo a Folhapress. A Caixa, que responde por cerca de 70% do crédito habitacional e cobrou em média 12,05% + TR em setembro, ainda não anunciou mudança. Contei os detalhes na abertura de hoje.
Na prática, num financiamento de R$ 600 mil em 30 anos pelo SAC, a primeira parcela do Itaú sobe uns R$ 431 por mês, e a do Bradesco, uns R$ 856, sem TR, seguros e tarifas. A conta é minha, feita sobre as taxas divulgadas. Para a Abrainc, cada ponto percentual a mais na taxa deixa cerca de 1,3 milhão de famílias fora do mercado.
As incorporadoras sentiram primeiro. No pregão de segunda, 26, Cyrela e MRV chegaram a cair mais de 40% durante a manhã, e Cury, Direcional e Tenda recuaram mais de 20%, segundo a IstoÉ Dinheiro com dados da Reuters. Ação de construtora é termômetro de juro: quando o financiamento encarece, o mercado já desconta menos vendas e lançamentos mais lentos.
Em Miami e Orlando, o juro caiu, mas o câmbio pesou mais
Nos Estados Unidos, o movimento foi o oposto. A taxa média do financiamento de 30 anos recuou a 7,24% na semana, a menor de outubro, segundo a Freddie Mac. Para o brasileiro, porém, o câmbio pesou mais. Um imóvel de US$ 500 mil em Miami ou em Orlando passou a custar cerca de R$ 2,72 milhões só na conversão, mais de R$ 220 mil acima da semana anterior, antes de doc stamp, title insurance e closing costs, que detalhei no guia de custos de transferência na Flórida.
Minha leitura
Brasília: o comprador financiado decide o ritmo
Diante disso, acredito que o DF sente o choque pelo crédito, não pelo preço. Boa parte das compras na faixa média depende de financiamento, e é aí que a parcela mais cara trava o fechamento. Quem tem carta de crédito aprovada faz bem em assinar dentro da validade. Para quem compra à vista, avalio que a negociação fica mais favorável nas próximas semanas. Antes de fechar, some o ITBI do DF e confira o preço na Calculadora de valor.
São Paulo: o aluguel perdeu ainda mais terreno para a renda fixa
Com o DI de 2028 a 14,50%, a distância para o aluguel ficou maior. No cálculo do yield de São Paulo, o aluguel bruto rendia 6,43% ao ano. Avalio que o investidor que compra só para renda vai exigir desconto maior no preço, sobretudo nos compactos. Para quem compra para morar, nada muda na lógica, só no custo: vale simular com a conta completa de ITBI antes da proposta.
Flórida: o dólar caro pede calma
Para quem tem reais e mira Miami ou Orlando, acredito que comprar no pico do câmbio é a pior hora para correr. Quem já tem dólares ou recebe em moeda forte ganha o oposto: o imóvel brasileiro ficou cerca de 9% mais barato em uma semana. A Carteira de Ativos ajuda a pesar as duas praças lado a lado.
O que observar na semana
A decisão e o comunicado do Copom na quarta, 4, e qualquer sinal concreto sobre a equipe econômica. Avalio que só um plano fiscal crível devolve o DI para perto da Selic, e só isso destrava as tabelas dos bancos.
Leitura pessoal, não é aconselhamento financeiro.
Perguntas frequentes
O financiamento imobiliário vai ficar mais caro em novembro de 2026?
Já ficou nos bancos privados: Itaú, Santander e Bradesco subiram as taxas de balcão do SBPE entre 29 e 30 de outubro, para 12,95%, a partir de 12,49% e 13,60% ao ano + TR, respectivamente. A Caixa ainda não havia anunciado mudança até 30 de outubro.
O Copom vai mudar a Selic na reunião de 4 de novembro?
A Selic está em 13,75% ao ano. Segundo a Reuters, depois da semana da eleição a maior parte das apostas do mercado passou a ser de manutenção da taxa nesta reunião.
Quanto ficou mais caro comprar um imóvel na Flórida com o dólar a R$ 5,446?
Um imóvel de US$ 500 mil em Miami ou Orlando passou a custar cerca de R$ 2,72 milhões só no câmbio, mais de R$ 220 mil acima do valor de uma semana antes, sem contar impostos e custos de fechamento.
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