Inflação mais fraca, dólar mais barato e juro longo em alta
A semana que antecede o segundo turno da eleição presidencial, marcado para hoje (25), trouxe três sinais que mexem diretamente com quem compra imóvel: a prévia da inflação de outubro veio abaixo do esperado, o dólar voltou para baixo de R$ 5 e a curva de juros longa subiu. Fora do país, o financiamento americano ficou um pouco mais barato.
Segundo o IBGE, o IPCA-15 subiu 0,32% em outubro, abaixo dos 0,43% esperados em pesquisa da Reuters, e acumula 4,62% em 12 meses. O grupo Habitação, que pesa no bolso de quem paga aluguel e condomínio, caiu 0,10%, depois de subir 2,07% em setembro, puxado pela energia elétrica residencial (-0,89%) com a volta da bandeira tarifária verde. O aluguel residencial subiu 0,28%. Brasília marcou 0,28% no mês e São Paulo, 0,34%.
No Boletim Focus de 19 de outubro, o mercado manteve a projeção de IPCA de 5,22% para 2026, elevou a de 2027 para 4,32% e seguiu vendo a Selic em 13,25% no fim do ano, ante os 13,75% de hoje. A projeção de PIB caiu para 1,83% e a de câmbio no fim do ano, para R$ 5,13.
No mercado, o dólar à vista fechou a sexta-feira a R$ 4,993, com queda de 1,58% na semana, segundo a Agência Brasil, e o Ibovespa terminou em 205.082 pontos, com alta de 27,28% no ano. O contraponto veio dos juros: na quinta-feira (22), o DI para janeiro de 2028 subiu 11 pontos-base, a 12,88%, num pregão de aversão a risco e petróleo em alta. O Brent fechou a semana a US$ 116,72, alta de 6,24% em cinco pregões.
Brasília valoriza acima da inflação e o aluguel rende 6,20%
O Índice FipeZAP de setembro mostrou o metro quadrado de venda em Brasília a R$ 10.453, com alta de 0,81% no mês, 6,74% no ano e 9,80% em 12 meses, mais que o dobro da inflação do período (4,45%). O detalhamento está na análise do m² de Brasília.
No aluguel, o preço médio pedido ficou em R$ 53,84 por metro quadrado, com alta de 8,34% em 12 meses, e a rentabilidade bruta ficou em 6,20% ao ano. Para quem paga aluguel, a prévia mais fraca da inflação em Brasília (0,28%) é alívio no orçamento do mês; os contratos seguem reajustados pelo índice combinado em cada um.
Para quem compra, o custo de entrada começa pelo imposto de transmissão: o guia de ITBI do DF mostra quanto separar antes da escritura.
São Paulo: m² de R$ 12.206, com preço abaixo da inflação
Em São Paulo, o FipeZAP de setembro marcou o metro quadrado em R$ 12.206, com alta de 0,52% no mês, 2,60% no ano e 3,64% em 12 meses. É menos que a inflação de 4,45% no mesmo período: em termos reais, o preço médio pedido na capital paulista ficou ligeiramente mais barato. O recorte por bairro está na análise do m² de São Paulo.
A conta do investidor paulistano está no aluguel: o preço médio pedido chegou a R$ 65,78 por metro quadrado, alta de 6,22% em 12 meses, com rentabilidade bruta de 6,43% ao ano, acima da média nacional de 6,13%. Para quem compra, o custo de entrada está no guia de ITBI de São Paulo.
Flórida: juro cai na semana, mas quem tem caixa dita o ritmo
A taxa média do financiamento de 30 anos nos EUA recuou de 7,40% para 7,32% na semana, segundo a pesquisa semanal da Freddie Mac, e a de 15 anos foi a 6,68%. As duas seguem acima de um ano atrás, quando o crédito de 30 anos estava em 6,19%.
No sul da Flórida, a MIAMI REALTORS informou que as vendas acima de US$ 1 milhão cresceram 20,2% no acumulado do ano até setembro e que 59% delas foram pagas à vista, contra 42% do total de vendas. O estoque ativo da região caiu 13%, pelo oitavo mês seguido. Em Orlando, o preço mediano de setembro ficou em US$ 399.610, praticamente estável ante os US$ 402.319 de um ano antes, com 2.325 vendas e 12.464 imóveis à venda, segundo a associação regional de corretores.
Para o brasileiro, o câmbio pesou a favor: com o dólar a R$ 4,993, um imóvel de US$ 500 mil equivale a cerca de R$ 2,5 milhões, sem contar impostos e custos de fechamento, que expliquei no post sobre a Doc Stamp da Flórida.
Minha leitura
A inflação ajudou, o juro longo ainda não
Diante disso, acredito que a prévia de 0,32% é uma boa notícia para quem paga aluguel e para quem financia, mas ela ainda não chegou à curva de juros. Enquanto o DI de 2028 estiver perto de 12,9%, avalio que as tabelas dos bancos não devem cair de forma relevante nas próximas semanas. Quem já tem crédito aprovado faz bem em travar a taxa.
Brasília para valorização, São Paulo para renda
Os números de setembro reforçam a leitura que venho fazendo: Brasília entrega valorização acima da inflação, e São Paulo entrega um aluguel que rende um pouco mais sobre o preço. Nas duas praças, porém, o rendimento bruto do aluguel fica abaixo da metade da Selic. Por isso acredito que comprar para alugar só fecha a conta com preço de entrada bem negociado e horizonte longo. A calculadora de valor do imóvel ajuda a testar o preço antes da proposta.
Na Flórida, o câmbio abriu uma janela, não uma garantia
O dólar abaixo de R$ 5 reduz o cheque em reais de quem já decidiu comprar em Miami ou Orlando. Avalio que, para esse comprador, faz sentido dividir a remessa em etapas em vez de apostar na direção do câmbio depois da eleição. Para comparar a Flórida com outros ativos, uso a carteira de ativos imobiliários.
A eleição muda o preço do risco, não o valor do imóvel
O resultado do segundo turno sai hoje à noite e deve mexer com dólar, bolsa e juros já na segunda-feira. Não faço previsão eleitoral. O que acredito é que quem compra para morar deve decidir pela própria conta, com parcela, renda e prazo, e não pelo noticiário de uma semana.
Esta é uma leitura pessoal e informativa, não é aconselhamento financeiro.
O que todo mundo pergunta nesta semana
A inflação de outubro deixou o aluguel mais barato?
Não exatamente. No IPCA-15 de outubro de 2026, o aluguel residencial subiu 0,28%. O que caiu foi o grupo Habitação como um todo (-0,10%), por causa da energia elétrica, que recuou 0,89% com a bandeira tarifária verde.
O dólar abaixo de R$ 5 torna agora a hora de comprar na Flórida?
O câmbio mais baixo reduz o valor em reais: um imóvel de US$ 500 mil sai por cerca de R$ 2,5 milhões com o dólar a R$ 4,993, antes de impostos e custos de fechamento. Mas o câmbio oscila e o juro americano de 30 anos ainda está em 7,32%. A decisão depende do prazo e do objetivo de cada comprador.
Rende mais alugar em Brasília ou em São Paulo?
Pelo Índice FipeZAP de setembro de 2026, a rentabilidade bruta do aluguel é de 6,43% ao ano em São Paulo e de 6,20% em Brasília. Em compensação, o preço de venda subiu 9,80% em 12 meses em Brasília, contra 3,64% em São Paulo.
Eu faço a conta do imóvel que você está olhando
Fale comigo pelo WhatsApp: comparo aluguel, parcela e rentabilidade com anúncios reais da região antes de você decidir.
Receba o Radar Imobiliário toda semana
Preço do m², tendências e a leitura do Daniel Carvalho sobre os mercados de Brasília, São Paulo e da Flórida (Miami, Orlando e região) — direto no seu e-mail, sem enrolação.