- Inflação: o IPCA de setembro foi de 0,82%, puxado pela conta de luz; em 12 meses, 4,58% (IBGE).
- Juros: o mercado mantém a Selic em 13,5% no fim de 2026 e 12% no fim de 2027, mas elevou a inflação esperada para 5,01% (Focus).
- Imóveis: Brasília acumula alta de 9,80% em 12 meses no FipeZAP, contra 5,51% da média nacional.
IPCA de 0,82% em setembro, com a energia elétrica no topo
O IBGE divulgou na sexta-feira, 9 de outubro, que o IPCA de setembro de 2026 foi de 0,82%. No ano, a inflação acumula 3,95% e, em 12 meses, 4,58%.
O grupo que mais pesou foi Habitação, com alta de 2,31% e impacto de 0,35 ponto percentual no índice. Dentro dele, a energia elétrica residencial subiu 7,98%, o maior impacto individual do mês. Segundo o IBGE, a alta se explica pelo fim da incorporação do Bônus de Itaipu nas contas, com a bandeira tarifária amarela ainda em vigor.
Focus mantém Selic de 13,5% no fim do ano, mas vê inflação mais alta
No Boletim Focus de segunda-feira, 5 de outubro, o mercado elevou pela terceira semana seguida a projeção do IPCA de 2026, de 4,99% para 5,01%. Para 2027, a estimativa ficou em 4,30%. A projeção da Selic foi mantida em 13,5% ao ano no fim de 2026 e em 12% no fim de 2027. O PIB de 2026 passou de 1,86% para 1,85% e o dólar esperado no fim do ano seguiu em R$ 5,20.
Segundo reportagem da Forbes Brasil, a Selic está em 13,75% depois do corte de 0,25 ponto em setembro, o quinto seguido, e a próxima reunião do Copom acontece em novembro. A mesma reportagem lembra que o segundo turno de 25 de outubro pode mexer nas expectativas.
FipeZAP: Brasília sobe 9,80% em 12 meses, quase o dobro da média
O Índice FipeZAP de venda residencial de setembro, divulgado no início do mês, registrou alta de 0,58% no mês, 4,04% no ano e 5,51% em 12 meses na média das 56 cidades, com preço médio de R$ 10.015 por metro quadrado. Segundo o portal Portas, houve alta em 46 cidades e em 19 das 22 capitais.
Nos mercados que acompanho de perto:
- Brasília: +0,81% no mês, +9,80% em 12 meses, R$ 10.453/m².
- Florianópolis: +0,56% no mês, +8,31% em 12 meses, R$ 13.607/m².
- São Paulo: +0,52% no mês, +3,64% em 12 meses, R$ 12.206/m².
Uma conta simples, feita por mim: descontado o IPCA de 12 meses (4,58%), a alta de 9,80% em Brasília equivale a um ganho real de cerca de 5% no preço anunciado. Em São Paulo, o índice ficou abaixo da inflação no período.
O que esses três números dizem para quem compra
1. Para quem compra para morar: olhe o custo de manter, não só o preço
Diante de uma inflação de setembro puxada por Habitação e pela conta de luz, acredito que o comprador precisa colocar na planilha o custo fixo de morar: energia, condomínio e IPTU. Penso que, entre dois imóveis de preço parecido, o que gasta menos para manter (orientação solar, área comum enxuta, medição individual) vale mais do que aparenta no anúncio.
2. Para quem financia: juros caindo devagar não é juro baixo
Com a Selic em 13,75% e o mercado projetando 13,5% no fim do ano, avalio que o crédito segue caro, ainda que a direção seja de queda. Minha leitura é que vale simular o financiamento com as taxas de hoje e só fechar se a parcela couber assim. Uma eventual queda futura dos juros é bônus, não premissa. E, com a inflação esperada subindo para 5,01%, penso que o espaço para cortes rápidos ficou menor.
3. Para quem investe: Brasília continua à frente, mas o preço já andou
Diante da alta de 9,80% em 12 meses no FipeZAP, contra 5,51% da média nacional e 3,64% em São Paulo, acredito que Brasília segue entre os mercados mais firmes do país, em linha com o que mostrei no balanço do 1º semestre no DF. Ao mesmo tempo, avalio que quem chega agora compra um metro quadrado já valorizado. Por isso, penso que a escolha do bairro e da planta pesa mais do que nunca: localização com demanda de aluguel e liquidez na revenda.
4. Para o investidor estrangeiro: atenção à semana do segundo turno
O próprio mercado admite que o resultado de 25 de outubro pode mudar as expectativas de juros e câmbio. Avalio que quem investe a partir do exterior deve olhar o imóvel pelo prazo longo e não tentar acertar o dia da eleição. Escrevi mais sobre isso em o mercado imobiliário entre os turnos.
Esta é uma leitura pessoal e informativa. Não é aconselhamento financeiro, jurídico ou de investimento.
O que mais me perguntaram nesta semana
Quanto foi a inflação (IPCA) de setembro de 2026?
Segundo o IBGE, o IPCA foi de 0,82% em setembro de 2026, com 3,95% no ano e 4,58% em 12 meses. O grupo Habitação subiu 2,31%, puxado pela energia elétrica residencial (+7,98%).
Qual a projeção do mercado para a Selic no fim de 2026?
O Boletim Focus de 5 de outubro de 2026 manteve a projeção de 13,5% ao ano para o fim de 2026 e de 12% para o fim de 2027. Segundo a Forbes Brasil, a Selic estava em 13,75% após o corte de setembro.
Quanto o preço do imóvel subiu em Brasília em 12 meses?
Pelo Índice FipeZAP de venda residencial de setembro de 2026, Brasília acumulou alta de 9,80% em 12 meses, com preço médio de R$ 10.453 por metro quadrado. A média das 56 cidades foi de 5,51%.
Eu traduzo esses números para o seu caso
Fale comigo pelo WhatsApp: simulo o financiamento com as taxas de hoje e mostro como está o preço do m² na região que você procura.
Receba o Radar Imobiliário toda semana
Preço do m², tendências e a leitura do Daniel Carvalho sobre os mercados de Brasília, São Paulo, Florianópolis e da Flórida (Miami e Orlando) — direto no seu e-mail, sem enrolação.
Foto: Daniel Costa / Unsplash (Licença Unsplash).