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Bloco residencial sobre pilotis em uma superquadra de Brasília, visto do gramado entre as árvores
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Juro de 15% + TR: quanto a alta dos bancos tirou do poder de compra em Brasília antes do Copom

Bradesco levou a taxa mínima do financiamento de 11,99% para 15% ao ano mais TR, Itaú foi a 12,95% e Santander a 12,49%. Ao preço médio de Brasília, isso derruba o imóvel acessível de R$ 1,045 milhão para R$ 884 mil — sem a Selic ter subido um ponto sequer.

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O banco subiu o juro antes de o Copom se reunir

Em cinco dias úteis, três dos maiores bancos privados reajustaram para cima a taxa mínima do financiamento imobiliário — com a Selic parada em 13,75% ao ano, depois de cinco cortes seguidos. Quem compra em Brasília sente o efeito antes de qualquer decisão do Banco Central.

15% + TRnova taxa mínima anunciada pelo Bradesco, ante 11,99%
13,75%Selic na véspera do Copom de 3 e 4 de novembro
R$ 10.453m² médio de venda em Brasília em setembro (FipeZAP)
R$ 161 milo que some do imóvel acessível na simulação deste post

O movimento foi noticiado pelo g1 em 30 de outubro de 2026, a partir de comunicados dos próprios bancos. O Bradesco passou a taxa mínima de 11,99% para 15% ao ano mais TR, em vigor desde 26 de outubro (no Private, de 11,70% para 13,60%). O Itaú foi a 12,95% ao ano em 29 de outubro e o Santander, de 11,69% para 12,49% mais TR em 30 de outubro. A Caixa, maior financiadora do país, não informou se acompanha: disse estar em período de silêncio antes do balanço.

Por que o juro do banco sobe se a Selic está caindo

Porque o financiamento não é precificado pela Selic de hoje, e sim pelo custo do dinheiro longo. Na semana encerrada em 30 de outubro, o dólar fechou a R$ 5,44, na maior alta semanal desde 2008, e a curva de juros futuros passou a embutir uma Selic bem mais alta para o fim de 2027. Quando a captação longa encarece, o banco repassa — mesmo com a taxa básica parada.

O que mudou

As taxas mínimas, banco a banco

Taxa mínima anunciada do financiamento imobiliário, outubro de 2026Bradesco 15,00% ao ano mais TR, Itaú 12,95%, Santander 12,49% e a taxa mínima anterior do Bradesco, de 11,99%.Bradesco (26/10)15,00%Itaú (29/10)12,95%Santander (30/10)12,49%Bradesco (até 25/10)11,99%Taxas mínimas ao ano, acrescidas de TR. Fonte: g1, 30/10/2026, com base em comunicados dos bancos.

Vale a leitura fina: são taxas mínimas, as que o banco reserva ao cliente de melhor relacionamento — portabilidade de salário, seguros e conta na casa. A taxa de balcão costuma ficar acima disso. E todas são taxas mais TR, que voltou a correr desde que a Selic passou de 8,5% ao ano.

A Caixa é o fiel da balança

A Caixa concentra a maior fatia do crédito imobiliário com recursos da poupança e do FGTS e opera linhas que os bancos privados não têm. Enquanto ela não se mexer, continua existindo uma alternativa mais barata no mercado — e é exatamente por isso que vale cotar em pelo menos três bancos antes de assinar qualquer proposta.

A conta em Brasília

Quanto isso custa num apartamento de 100 m² na capital

O preço médio de venda em Brasília fechou setembro de 2026 em R$ 10.453 por metro quadrado, alta de 0,81% no mês, 6,74% no ano e 9,80% em doze meses, segundo o Índice FipeZAP Residencial de Venda. São Paulo aparece em R$ 12.206 — mais caro em nível, mas subindo menos.

Peguei um apartamento de 100 m² a esse preço médio, R$ 1.045.300, com entrada de 20% e financiamento de R$ 836.240 em 360 meses pela tabela SAC. Para isolar o efeito do juro, considerei TR zerada e deixei de fora seguros e taxas, que incidem sobre todos os cenários. É simulação minha, não é proposta de banco.

A primeira parcela, em cada taxa

A 11,99% ao ano, a primeira parcela sai em R$ 10.252. A 12,49%, R$ 10.561. A 12,95%, R$ 10.849. A 15%, R$ 12.119. Entre a ponta de baixo e a de cima há R$ 1.867 por mês, quase 18,2% a mais, no mesmo imóvel e no mesmo prazo.

O que some do bolso: R$ 161 mil de imóvel

O efeito mais duro não está na parcela, está no teto. Mantida a mesma primeira parcela de R$ 10.252, a 15% ao ano o banco financia R$ 707,4 mil em vez de R$ 836,2 mil — 15,4% a menos. Com a mesma entrada, o imóvel que cabe no orçamento cai para cerca de R$ 884.200: são R$ 161,1 mil de poder de compra a menos, ou 15 metros quadrados ao preço médio da cidade. Quem mirava 100 m² passa a mirar 85 m².

E a renda exigida

Como os bancos costumam limitar a prestação a 30% da renda familiar comprovada, a renda necessária para a mesma operação sai de cerca de R$ 34,2 mil para R$ 40,4 mil por mês. No Plano Piloto, no Noroeste e em Águas Claras, isso tira uma faixa inteira de compradores da mesma unidade.

O Copom de 4 de novembro

O que o mercado espera da reunião desta semana

O Comitê de Política Monetária se reúne nesta terça e quarta, 3 e 4 de novembro, com comunicado na quarta e ata em 10 de novembro. A Selic chegou aqui depois de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto, iniciados em 19 de março, que a levaram de 15% para 13,75%.

Nas opções de Copom na B3 em 28 de outubro, a chance de manutenção era de 66,5%, contra 32% de novo corte. Em levantamento da Bloomberg entre 27 e 29 de outubro, 10 de 18 economistas esperavam manutenção e 8, corte para 13,50%. O Focus de 26 de outubro — coletado até o dia 23, antes do salto do dólar — trazia IPCA de 5,19% e Selic de 13,25% no fim de 2026.

Uma pausa não devolve a taxa do financiamento

Mesmo que o Copom pare, e esse é o cenário dominante, nada disso reverte o que os bancos acabaram de fazer. A Selic ancora o dinheiro curto; o crédito imobiliário é de 20 a 35 anos e acompanha a curva longa, que depende de câmbio, fiscal e expectativa de inflação. Nesta segunda, 2 de novembro, feriado de Finados, não houve pregão no Brasil — o IFIX segue marcado no fechamento de 30 de outubro, 3.632,26 pontos, queda de 0,60% no dia.

Opinião de Daniel Carvalho

Minha leitura

Diante desses números, avalio que o erro mais caro agora é esperar o Copom para decidir. A decisão de quarta mexe com a taxa curta; a sua prestação foi reprecificada na semana passada, e por outro motivo.

Proposta aprovada na taxa antiga é ativo com prazo de validade

Acredito que quem está com carta de crédito ou proposta aprovada antes do reajuste tem uma vantagem concreta na mão. Taxa mínima reajustada não costuma voltar atrás em semanas.

Quem está começando precisa cotar na Caixa

Enquanto a Caixa não se posiciona, há assimetria clara entre bancos. Cotar em três instituições deixou de ser zelo e virou obrigação: entre 12,49% e 15% ao ano, no exemplo deste post, são R$ 1,5 mil por mês de diferença na primeira parcela.

Em Brasília, a conversa muda de metragem, não de bairro

Vejo o comprador do DF reagir primeiro pela metragem e pelo andar, não pela região. Quando o teto cai 15%, o Noroeste não some da lista — somem 15 metros quadrados dela. Para quem compra para morar e pretende ficar, isso é administrável. Para quem compra alavancado mirando revenda em dois ou três anos, a conta apertou bastante, porque o aluguel em Brasília não subiu no ritmo do juro. Se quiser conferir a sua conta, deixo a calculadora de valor do imóvel, a carteira de ativos e o guia do ITBI no DF.

Leitura pessoal de Daniel Carvalho, corretor CRECI-DF 24.952. Não é recomendação nem aconselhamento financeiro. As simulações usam as premissas descritas no texto; confirme as condições com o seu banco.

Perguntas frequentes

Dúvidas rápidas

A taxa de 15% ao ano do Bradesco vale para todo mundo?

Não. É a taxa mínima anunciada, oferecida ao cliente com melhor relacionamento — normalmente com portabilidade de salário, seguros e conta no banco. A taxa de balcão costuma ser mais alta, e todas são acrescidas de TR. O número confirmado pelo g1 em 30 de outubro de 2026 é o piso, não a média.

Se o Copom mantiver a Selic em 13,75% nesta quarta, o financiamento fica mais barato?

Provavelmente não de imediato. A Selic baliza o custo do dinheiro curto, e o crédito imobiliário é de 20 a 35 anos: ele acompanha a curva longa de juros e o custo de captação. Foi justamente a curva longa que abriu na última semana de outubro, quando o dólar fechou a R$ 5,44.

Quanto muda na prática em um imóvel de R$ 1 milhão em Brasília?

Na simulação deste post — 100 m² ao preço médio de R$ 10.453 o metro quadrado, entrada de 20%, 360 meses, tabela SAC e TR zerada —, a primeira parcela sai de R$ 10.252 a 11,99% ao ano para R$ 12.119 a 15%. Mantida a mesma prestação, o valor financiado cai 15,4% e o imóvel acessível recua de R$ 1.045.300 para cerca de R$ 884.200.

Leia também: ITBI no DF, quanto você paga ao comprar um imóvel · Mais em Crédito e Juros

Foto: Vitor Monthay / Unsplash (Unsplash License).

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