DC Daniel CarvalhoImobiliário
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Fechamento: Bradesco leva o juro do financiamento a TR + 15% e o IFIX cai 1,19%

O choque da eleição chegou à tabela do financiamento imobiliário, e os fundos de tijolo pagaram a conta do dia.

Crédito e Juros · Fechamento

Bradesco recalibra a tabela e o financiamento vai a TR + 15% ao ano

Veio nesta terça-feira (27) a primeira resposta concreta dos bancos ao choque da eleição no mercado de juros. O Bradesco atualizou a tabela do financiamento imobiliário com recursos do SBPE — a poupança —, em vigor desde 26 de outubro: TR + 13,60% ao ano no Private, TR + 15,00% nos segmentos Principal, Prime, Parcerias e Massificado, TR + 16,50% para imóvel comercial e compra por pessoa jurídica e TR + 18,50% para terreno urbano. O banco citou a volatilidade do mercado e o efeito dela no custo de captação.

Analistas do Bradesco BBI e da Ágora Investimentos avaliaram que o reajuste é negativo para as incorporadoras de média e alta renda, porque encarece a prestação e reduz o poder de compra do cliente.

O IFIX cai 1,19% e as construtoras reagem divididas

O dia foi de acomodação, não de recuperação. O Ibovespa fechou em queda de 0,51%, aos 175.710,05 pontos, depois do tombo de 13,88% da véspera — na semana, a perda chega a 14,32%. O dólar comercial caiu 0,97%, a R$ 5,350, e os DIs recuaram em toda a curva. Quem não acompanhou o alívio foi o tijolo: o IFIX encerrou em baixa de 1,19%, aos 3.719,05 pontos.

Nas construtoras da B3, a reação ficou dividida por volta das 16h: Tenda subia 9,87%, Direcional 5,13% e Cury 2,55%, enquanto EZTec caía 5,71% e MRV 4,02%. No mesmo dia, o JPMorgan cortou a recomendação de shoppings e de construtoras de média renda, por ver juros longos mais altos sustentando juros mais altos por mais tempo.

Brasília chega ao aperto vindo de um semestre forte

O Relatório de Estabilidade Financeira apresentado pelo Banco Central nesta terça dá o pano de fundo: o comprometimento de renda das famílias está no nível mais alto em 21 anos. No DF, o Panorama da Habitação da Ademi-DF e do Sinduscon-DF, divulgado em 16 de setembro, apontou 1.631 unidades lançadas no 1º semestre de 2026, alta de 108%, e 2.375 vendidas, alta de 10%.

Minha leitura

Minha leitura

Diante disso, acredito que a notícia do dia não é a bolsa, é a tabela do banco. Avalio que simulação feita antes de 23 de outubro virou papel velho e que quem já tem taxa aprovada tem uma vantagem que não deve durar. Para quem vende em Brasília, a minha leitura é que os próximos 60 dias pedem mais flexibilidade na condição de pagamento do que corte no preço: o comprador não ficou mais pobre, ficou mais caro de financiar. Vale somar também o custo de entrada com ITBI e registro no DF. Esta é uma leitura pessoal e informativa. Não é aconselhamento financeiro nem recomendação de investimento.

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