DC Daniel CarvalhoImobiliário
← Voltar ao blog Fechamento do dia · Brasília/DF

Construir acelerou em Brasília em outubro, e a Selic a 13,75% vai à decisão de 4 de novembro

O custo de construir acelerou na capital em outubro e o grupo Habitação subiu aqui enquanto caiu no país. E o mês começa com a meta Selic em 13,75%, válida até 4 de novembro.

O fato do dia · Brasília/DF

Construir acelerou em Brasília, e morar também

O mês fechou com dois sinais na mesma direção para quem compra imóvel em Brasília. O INCC-M de outubro, divulgado pela FGV em 27 de outubro de 2026, subiu 0,35% — acima dos 0,25% de setembro — e acumula 6,75% em 12 meses, contra 6,58% no mesmo período do ano passado. A FGV registrou aceleração em cinco das sete capitais que compõem o índice, e Brasília está entre elas, ao lado de São Paulo, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre.

Por dentro do índice, a pressão veio do insumo, não do salário. Materiais e Equipamentos passaram de 0,17% em setembro para 0,41% em outubro, puxados pelo subgrupo "materiais para estrutura", que saltou de 0,07% para 0,72%. Serviços foram de 0,15% para 0,31%. A Mão de Obra desacelerou, de 0,37% para 0,27%.

Do lado de quem já mora, o IPCA-15 de outubro do IBGE, divulgado em 23 de outubro, trouxe alta de 0,32% no país e de 0,28% em Brasília. Mas o grupo Habitação — aluguel, condomínio, energia, água e material de construção — caiu 0,10% na média nacional e subiu 0,30% em Brasília. Em São Paulo, o mesmo grupo recuou 0,15%. O aluguel residencial avançou 0,28% no mês e o IPCA-15 acumula 4,62% em 12 meses.

O que isso muda para quem compra, vende ou investe

São duas contas diferentes. Quem compra na planta tem o saldo devedor corrigido pelo INCC até a entrega das chaves: com o índice a 6,75% em 12 meses contra 4,62% do IPCA-15, o custo de esperar a obra sobe mais rápido que a inflação ao consumidor — e, em Brasília, ele acelerou em outubro. Quem é investidor de renda olha para o outro lado: habitação pressionada no DF, enquanto cede no país, significa condomínio, energia e água comendo uma fatia maior do aluguel bruto. O yield líquido cai sem que o preço do imóvel tenha mudado.

E a semana que começa tem data marcada. A meta Selic está em 13,75% ao ano desde 17 de setembro, fixada na 281ª reunião do Copom, e o período de vigência publicado pelo Banco Central vai até 4 de novembro de 2026 — quando sai a próxima decisão. Os bancos não esperaram: na semana passada, Itaú, Santander e Bradesco encareceram o financiamento imobiliário, e a Caixa ainda não mexeu.

Minha leitura

Diante disso, avalio que o comprador de Brasília precisa parar de olhar só a parcela e começar a olhar o custo total de carregar o imóvel. Acredito que a combinação de INCC acelerando na cidade, habitação pressionada e financiamento mais caro favorece, nos próximos meses, o imóvel pronto e bem localizado em relação ao lançamento de obra longa — menos exposição ao índice de construção e parcela previsível. Para quem já está na planta, minha leitura é simular hoje o saldo corrigido a 6,75% ao ano até a entrega, antes de contar com repasse barato. É leitura pessoal, não é aconselhamento financeiro.

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