Dólar a R$ 5,60 e bolsa parada no dia seguinte à eleição
O mercado reagiu com força ao resultado do segundo turno, em que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com 51,77% dos votos válidos, contra 48,23% de Flávio Bolsonaro (PL), segundo a apuração publicada pelo TRE-SP. O dólar comercial, que tinha fechado a sexta-feira (23) a R$ 4,993, abriu em alta de 8,65% e chegou a R$ 5,605 às 9h47, alta de 12,25%, segundo o acompanhamento ao vivo do InfoMoney. A primeira parcial da PTAX saiu a R$ 5,6052; na segunda, às 11h14, a moeda já tinha recuado para R$ 5,4968.
Na bolsa, a B3 acionou o circuit breaker às 9h57, com 30 minutos de suspensão, depois de o Ibovespa cair cerca de 10%. É a primeira interrupção desde março de 2020. Na volta, o índice seguiu em queda e, às 11h26, recuava 17,26%, aos 169.681 pontos. O Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação previstos para terça (27) e quinta-feira (29).
O que muda para quem compra, vende ou investe
As incorporadoras estiveram entre as maiores quedas. Às 11h25, Cyrela recuava 43,7%, MRV 42,3%, Direcional 22,5% e Tenda 21,6%. Para quem comprou na planta, a cotação da construtora não muda o contrato, mas o recado é de juro mais alto por mais tempo: o DI para janeiro de 2028, que orienta o custo do crédito de prazo longo, foi de 12,825% no ajuste anterior para 14,295% nas primeiras horas do pregão. Quando esse movimento se sustenta, chega às tabelas de financiamento dos bancos.
Em São Paulo, a capital deu vitória a Lula (55,5%), enquanto o estado votou em Flávio Bolsonaro (53,85%), segundo o TRE-SP. Para quem compra na Flórida, a conta mudou em um dia: com o dólar a R$ 5,60, um imóvel de US$ 500 mil em Miami ou Orlando passa de cerca de R$ 2,5 milhões para R$ 2,8 milhões, antes de impostos e custos de fechamento. O Boletim Focus divulgado hoje, coletado antes do resultado, ainda projetava dólar de R$ 5,05 e Selic de 13,25% no fim de 2026.
Minha leitura
Diante disso, acredito que o dia é de reprecificação de risco, não de mudança no valor dos imóveis. Avalio que quem já tem financiamento aprovado deve travar a taxa, e que quem ia remeter dólares para a Flórida não precisa decidir no pico do pânico: dividir a remessa em etapas segue sendo o caminho mais prudente. O efeito para Brasília está na análise do dia.Esta é uma leitura pessoal e informativa, não é aconselhamento financeiro.
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