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Abertura do dia: Focus eleva o IPCA de 2026 para 5,22% e mantém a Selic em 13,25% no fim do ano

Com a meta Selic ainda em 13,75% ao ano, o mercado trabalha com mais meio ponto de corte até dezembro — e com juro a 12% em 2027.

O fato

Inflação esperada sobe, mas a aposta em juro menor continua de pé

O Boletim Focus do Banco Central divulgado em 13 de outubro de 2026 elevou a projeção de IPCA deste ano de 5,01% para 5,22% e manteve a mediana da Selic em 13,25% ao ano no fim de 2026. Para 2027, o mercado segue com IPCA de 4,30% e juro básico de 12% ao ano. O PIB de 2026 ficou em 1,85% e o câmbio projetado para o fim do ano caiu de R$ 5,20 para R$ 5,15.

A meta Selic hoje é de 13,75% ao ano, patamar definido na reunião do Copom de 16 de setembro, quando o comitê cortou 0,25 ponto percentual pela quinta vez seguida. Ou seja: o mercado trabalha com mais meio ponto de corte até dezembro e com um ciclo que levaria o juro a 12% ao longo de 2027.

O que muda

Para quem financia, a conta tem duas pontas

A Selic não é a taxa do seu financiamento, mas é o chão dela. Com o juro básico ainda em 13,75%, o crédito imobiliário continua caro e os bancos seguem seletivos na renda exigida e no percentual financiado. Quem fecha contrato agora contrata o custo do mundo de hoje — e conta com a portabilidade mais à frente, se o ciclo de corte se confirmar.

A segunda ponta é a inflação. Um IPCA projetado de 5,22% em 2026 pressiona quem tem saldo devedor corrigido por índice de preços e encarece a obra de quem compra na planta. Para o comprador de imóvel pronto, o efeito é indireto: inflação maior adia o corte de juro e segura o poder de compra da parcela.

E há a ponta do vendedor. Juro alto mantém a renda fixa competitiva e reduz a pressa de quem tem dinheiro para comprar à vista. Na prática, isso sustenta o poder de negociação do comprador nas faixas em que sobra estoque — e explica por que insisto em separar a escolha do imóvel da escolha do financiamento. Faço essa conta na calculadora de valor do imóvel antes de qualquer proposta, e o custo de entrada no DF está no guia de ITBI de Brasília.

Minha leitura

Minha leitura

Diante desse Focus, avalio que esperar o juro cair para comprar é uma estratégia perdedora na margem. Meio ponto de Selic até dezembro muda pouco a parcela; o desconto que se consegue hoje num imóvel bem escolhido muda muito mais. Acredito que o risco real não é pagar juro alto por alguns meses, é pagar caro num imóvel que não se vende depois. Minha leitura é simples: negocie preço agora, refinancie taxa depois. Esta é uma leitura pessoal e informativa. Não é aconselhamento financeiro nem recomendação de investimento.

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