O câmbio deu o recado da semana
O dólar comercial fechou a sexta-feira, 30 de outubro, cotado a R$ 5,446, em alta de 1,09% no dia e de 9,15% na semana — a maior valorização semanal da moeda americana desde 2008, segundo a Agência Brasil. No mesmo intervalo, o Ibovespa encerrou aos 167.921,80 pontos, com queda de 0,75% no dia e de 18,12% na semana, o pior desempenho semanal desde março de 2020.
O movimento tem três camadas. A doméstica é o ajuste de preços após a reeleição e a incerteza sobre a política fiscal e sobre a equipe econômica do próximo governo. A externa é a queda das ações de tecnologia e de inteligência artificial, com o S&P 500 recuando 1,82% na sexta. E há o fluxo: cerca de R$ 7,6 bilhões saíram líquidos do mercado secundário de ações nos três primeiros pregões da semana.
Por que isso chega ao imóvel
Câmbio e juro longo são o combustível do crédito imobiliário. Quando a curva de juros abre, encarece o funding dos bancos e aperta a margem das linhas com recursos livres — aquelas que financiam o imóvel acima do teto do SFH, justamente a faixa média-alta de Brasília e de São Paulo. Dólar mais caro também pressiona insumos importados de obra, e esse repasse aparece no INCC com dois ou três meses de atraso.
Do outro lado do balcão há um efeito positivo e silencioso: para quem recebe em dólar e compra no Brasil, o imóvel brasileiro ficou 9% mais barato em uma semana. É o tipo de janela que o investidor estrangeiro costuma usar rápido.
Minha leitura
Avalio que uma semana não define tendência, mas define comportamento. Diante disso, acredito que quem está com proposta assinada e financiamento em análise deve travar a taxa agora, por escrito, em vez de esperar acomodação. E quem vende imóvel de ticket alto vai precisar de mais paciência nas próximas semanas: nesse cenário, comprador com dinheiro em renda fixa pensa duas vezes antes de sair do juro de dois dígitos. Leitura pessoal, não é aconselhamento financeiro.
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